Sou tua
quinta-feira, janeiro 07, 2016 
Sou tua desde o momento que te vi pela primeira vez. Não é possível que essa tenha sido realmente a primeira vez, mas ainda assim foi a primeira vez que te vi, verdadeiramente. E tu viste-me a mim, e eu nem soube. A vida é uma paródia surreal, não concordas? Estavas ocupado com as tuas sombras e certezas e eu estava ocupada a fugir-te enquanto tu fugazmente me devoravas sem um toque. Nunca tinha conhecido a verdadeira sensação de estar perdida até te conhecer. Nunca tinha conhecido a verdadeira sensação de estar completa e ao mesmo tempo vazia até te conhecer. Raios partam. Podias ter sido mais normal, mas a normalidade é uma palavra que não vem no teu dicionário e, desde que te conheci, nem no meu, mas é por isso que te amo. Amo-te, com todas as tuas sombras e recantos escondidos que guardas dentro de ti. Senti a minha pele aquecida pela tua contra a parede fria e rugosa, a chuva forte apenas a uma parede de distância, a tua mão a tapar-me a boca e a tua voz baixa, firme, sedutora e mandona junto ao meu pescoço: "caladinha, meu amor!", um choque eléctrico passou por todo o meu corpo e rendi-me de corpo e alma a ti, se não o estava já.
Sei-te de cor, o teu cabelo negro, a tua boca carnuda e dentes perfeitos, os teus olhos naturalmente reservados e expressivos que me olham com admiração de todas as vezes como se fosse a primeira. Será que precisas tanto de mim como eu de ti? Acredito que sim sempre que me beijas depois de uma discussão. Procuras-nos com pressa, paixão e firmeza, primeiro na minha boca, depois no meu pescoço, no meu peito..., se Deus existe tu és a prova disso naqueles momento.

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